Terça, 26 Outubro de 2021
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POLÍCIA | GOIÂNIA GO
27/11/2020 - 15:26
Reconstituição da morte de advogados em Goiânia-GO dura mais de 7 horas e tem relato "frio" do atirador, diz polícia
Delegado revela que Pedro Henrique Martins, apontado como executor, fala "de maneira muito tranquila" sobre o crime e confessa participação. Reprodução simulada foi feita no escritório de advocacia das vítimas, Marcus Aprígio e Frank Carvalhaes.
O Âncora GO
Momento em que Pedro Henrique (de laranja) entra no escritório para a reconstituição. / Foto: Reprodução Honório Jacometto/TV Anhanguera

Depois de mais de 7 horas, as polícias Civil e Técnico-Científica finalizaram o trabalho de reconstituição do assassinato dos advogados Marcus Aprígio Chaves, de 41 anos, e Frank Alessandro Carvalhaes de Assis, de 47. Ambos foram assassinados no escritório onde trabalhavam, em Goiânia. O intuito é ampliar o leque de provas e registrar, em fotos e vídeos, a dinâmica do crime.

O suspeito de efetuar os disparos contra as vítimas, Pedro Henrique Martins, participou da simulação. O delegado Rhaniel Almeida, responsável pelo caso, chamou atenção para a forma "fria" de como ele lida com os homicídios.

"Pessoa absolutamente fria, não altera em nenhum momento o comportamento, o temperamento. Fala da morte dos dois advogados de maneira muito tranquila. Sempre confessa toda a participação dele no crime", afirma.

Cinco pessoas são suspeitas de elo com o crime. Quatro estão presas e uma morreu. A defesa de Nei Castlelli, apontando pela investigação como mandante do crime, informou em nota que, "neste momento da apuração, o seu constituinte exercerá seu direito ao silêncio".

O G1 e a TV Anhanguera não conseguiram contato com os advogados dos outros suspeitos.


DETALHES DO CRIME

Assim que chegou ao local do crime, Pedro Henrique foi levado direto à sede do escritório. Após meia hora, saiu acompanhado de vários policiais e foi até a esquina onde a moto usada na fuga foi deixada.

A polícia constatou que ele e um comparsa estudaram a rotina das vítimas e chegaram a almoçar por duas vezes em um restaurante que fica em frente ao escritório. Essa situação, segundo a polícia, ajuda a combater a tese de um latrocínio - roubo com resultado morte, alegada por Pedro Henrique quando foi detido.

O delegado Rilmo Braga apontou a importância da reprodução simulada, principalmente no que diz respeito ao conjunto de provas e a forma como o crime aconteceu. Tudo isso é essencial, segundo ele, em um possível julgamento do caso na Justiça.

"Tratando-se de um crime doloso contra a vida, o julgamento se dará por parte de pessoas da sociedade. Os julgadores não são juízes, não são magistrados, são cidadãos. Um cidadão se sente muito mais convencido assistindo fotografias e vídeos do que através de depoimento formalizado no papel. Por isso que essa diligência de reprodução simulada foi deliberada", destaca.


CRIME

O crime aconteceu em 28 de outubro no escritório dos advogados, por volta de 14h30. De acordo com a Polícia Civil, dois homens agendaram horário e esperaram pelo atendimento. A secretária os levou até a sala dos advogados, momento em que os criminosos colocaram as vítimas de costas e disparam. Eles ainda roubaram das vítimas R$ 2 mil em dinheiro.

Segundo o delegado Rhaniel Almeida, Pedro Henrique atirou nos advogados dentro do escritório. Ao todo, foram quatro tiros: três em uma das vítimas e um em outra. A polícia afirma que Pedro Henrique é um dos maiores matadores de aluguel do Tocantins.

Durante os primeiros depoimentos, logo após ser preso no Tocantins, Pedro Henrique apresentou a versão de latrocínio, que é o roubo seguido de morte. Para sustentar a tese, ele e o comparsa levaram do escritório R$ 2 mil em dinheiro.

A versão do preso foi derrubada pela investigação, que detectou posteriormente suposta ligação do crime com o fazendeiro que teria perdido a posse de uma fazenda avaliada em R$ 46 milhões, em ação defendida por Marcus e Frank na Justiça de Goiás. Essa tese passou a ser a principal linha da investigação policial.


OS CINCO SUSPEITOS DE ENVOLVIMENTO NA MORTE SÃO:

Pedro Henrique Martins: suspeito de ter matado os advogados. Ele foi preso em Porto Nacional-TO, em 30 de outubro;

Jaberson Gomes: suspeito de marcar horário com os advogados e acompanhar Pedro Henrique no dia do crime. Ele foi morto em confronto com a PM de Tocantins em 30 de outubro;

Hélica Ribeiro Gomes: namorada de Pedro Henrique, presa em 9 de novembro, em Porto Nacional-TO. A participação dela é investigada;

Cosme Lompa Tavares: suspeito de ser o intermediário das mortes, preso em 9 de novembro em Palmas-TO;

Nei Castelli: fazendeiro suspeito de ser o mandante do crime. Ele foi preso em 17 de novembro, em Catalão-GO.


INVESTIGAÇÃO

Segundo o delegado Rhaniel Almeida, a dupla viajou mais de 1 mil km de Tocantins para Goiânia. Pedro Henrique e Jaberson chegaram à capital no dia 24 de outubro e se hospedaram em um hotel no Centro da capital até o dia 28, data em que os advogados foram assassinados. O delegado diz que os dois estudaram a rotina das vítimas antes do crime.

Pedro Henrique foi preso na casa da namorada, em 30 de outubro, e admitiu ter executado os advogados. Outro suspeito, Jaberson Gomes, foi morto em confronto com a Polícia Militar do Tocantins, também em 30 de outubro. Segundo o delegado, ele foi a pessoa que ligou, agendou e monitorou a rotina dos advogados em Goiânia.

Outra pessoa suspeita de envolvimento no crime é Hélica Ribeiro, namorada de Pedro Henrique. A jovem foi presa no Tocantins, dias depois do rapaz, e a polícia investiga se ela recebeu dinheiro em nome do namorado e sabia do crime antes de ser cometido.

Em depoimento, ela contou que as mortes foram encomendadas por Cosme Lompa Tavares, de 33 anos. Por esta razão, a polícia pediu a prisão de Cosme.

Por fim, o fazendeiro Nei Castelli foi preso em Catalão, no sudeste de Goiás, suspeito de ser o financiador do assassinato. Para colocar a ideia em prática, ele teria contratado Cosme, que intermediou a contratação de Pedro Henrique e Jaberson Gomes.

Com a prisão de Nei Castelli, a Polícia Civil divulgou os valores que os supostos executores do crime receberiam em duas situações diferentes. Caso os suspeitos não fossem presos depois dos homicídios, receberiam R$ 100 mil. Se fossem encontrados e capturados pela polícia, o valor subiria para R$ 500 mil, de acordo com o delegado Rilmo Braga.


Fonte: G1 GO

             
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