Segunda, 02 Agosto de 2021
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POLÍCIA | IPORÁ GO
04/12/2020 - 14:05
Condenado por matar esposa grávida na frente do filho e alegar assalto deixa presídio em Iporá-GO
Vanessa Camargo, de 28 anos, foi morta com um tiro há três anos. Justiça liberou réu a aguardar em liberdade o julgamento de recurso impetrado pela defesa, o que revoltou a mãe da vítima: "Dor muito grande".
O Âncora GO
Vanessa Camargo foi assassinada dentro de carro quando estava grávida do segundo filho, em Goiás. / Foto: Reprodução facebook

O empresário condenado por matar a esposa grávida com um tiro e simular um assalto conseguiu um habeas corpus e deixou a prisão em Iporá, na região central de Goiás. Segundo a decisão, Horácio Rozendo de Araújo Neto, de 37 anos, deve aguardar em liberdade o julgamento de um recurso impetrado pela defesa.

Vanessa Camargo, de 28 anos, foi morta há três anos, na frente do filho do casal, que, à época, tinha dois anos de idade, em uma estrada de Ivolândia, a 80 km de distância de Iporá. Ela estava no terceiro mês de gestação. Segundo a denúncia, a vítima desejava se separar do marido, mas ele não aceitou.

O habeas corpus foi concedido na tarde de quinta-feira (3), pelo desembargador Nicomedes Borges, e, logo depois, o condenado deixou o presídio. Por telefone, o advogado de defesa de Horácio, Palmestron Cabral, disse que entrou com pedido com a alegação de que não havia motivos para que fosse decretada a prisão dele. Ele complementou que Horário havia esperado pelo julgamento em liberdade.

“O habeas corpus se fundamentou na presunção e inocência do réu, por ter aguardado o julgamento em liberdade durante três anos. Ele obedeceu a todas as regras, não colocou em risco a ordem pública nem a garantia da instrução, não fugiu, ou seja, não tinha uma causa que justificasse a prisão dele, já que estava em liberdade há muito tempo” disse a defesa.


O júri popular que condenou o o empresário aconteceu no dia 7 de novembro deste ano e foi presidido pelo juiz Wander Soares da Fonseca. Horácio pegou 29 anos, seis meses e 20 dias de prisão em regime fechado, pelos crimes de homicídio qualificado por motivo torpe, aborto e fraude processual.


FAMÍLIA REVOLTADA

A mãe da vítima, Nilva Camargo Soares, de 52 anos, disse que está revoltada com a decisão da Justiça. Ela contou ao G1 que toda a cidade está comovida com a situação e que o sentimento é de insegurança e descrença.

“Eu como mãe estou descrente. Não tem justiça. Foi um crime de feminicídio. Uma dor muito grande. Nossos filhos estão voltando para casa dentro de caixões, e a Justiça não está fazendo nada”, disse.

No dia do julgamento, cerca de 70 pessoas, entre amigos e familiares, fizeram uma manifestação em frente ao prédio para pedir a condenação do réu. Naquele dia, a condenação foi comemorada em carreata pela cidade.


CRIME

Vanessa foi morta no dia 31 de julho de 2017, em uma estrada vicinal da cidade de Ivolândia. Na ocasião, o empresário disse que viajava de carro com a mulher e o filho do casal, quando foram abordados por dois homens em uma moto. O esposo, que dirigia o veículo, parou e um dos suspeitos assumiu a direção.

Horácio disse em depoimento que a vítima discutiu com o assaltante e levou um tiro na cabeça. Ele confirmou a versão durante a reconstituição do crime.


INVESTIGAÇÃO

O delegado Ramon Queiroz, responsável pelo caso e que indiciou o empresário, disse que, apesar da negativa de Horácio, várias provas apontam que Horácio cometeu o crime.

"A versão dele desde o início apresentava várias incoerências. Os laudos periciais e depoimentos de testemunhas corroboram que não havia outra pessoa na cena do crime e que ele pode ser o responsável", disse ao G1 na época.

Ele afirmou ainda que dados do GPS dos celulares do casal também reforçam a tese da corporação. A motivação, conforme as investigações, seria o fato de que Vanessa tinha interesse em se separar, e Horácio não queria dividir o patrimônio em um provável divórcio.


Fonte: G1 GO


             
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