Terça, 26 Outubro de 2021
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BRASIL | GOIÁS
07/01/2021 - 15:47
Entidades apoiam juíza criticada por dar liberdade provisória a advogada vegana que passou mal na prisão por má alimentação
Em publicações nas redes sociais, pessoas consideraram decisão como "piada" e "absurda". Magistrada e associações dizem que sentença foi tomada com base em vários critérios previstos na Constituição.
O Âncora GO
Críticas feitas à juíza que liberou advogada vegana que passou mal devido à má alimentação no presídio. / Foto: Reprodução Instagram.

Entidades que representam advogados e juízes demonstraram apoio à juíza Placidina Pires, alvo de críticas em redes sociais após dar liberdade provisória a uma advogada vegana que passou mal na prisão por má alimentação. Em algumas publicações internautas disseram que a decisão era uma "piada" e "absurda". A magistrada disse que a sentença tinha uma série de embasamentos e que "é natural, às vezes, desagradar".

A decisão, assinada no dia 3 de dezembro, aponta que a advogada presa, que não teve o nome divulgado, é suspeita de integrar uma organização criminosa especializada na exploração de jogos de azar. A defesa da detenta disse que ela estava comendo apenas cenoura e quiabo desde que foi presa, pois não come nenhum alimento de origem animal e o presídio não tinha uma alimentação específica.

Devido a essa alimentação inadequada, a advogada acabou passando mal e precisou ser levada para o hospital.

"Observo que, não obstante tenham sido preenchidos os requisitos para a decretação da prisão preventiva, verifico que, nesta oportunidade, a defesa técnica demonstrou que (a advogada), por ser vegana, necessita de alimentação adequada (entre frutas, verduras e leite integral), que não é fornecida pela unidade prisional", relatou Placidina em sua decisão. Diante disso, foi dada a liberdade provisória e foi determinado o uso de tornozeleira.

Internautas e até alguns políticos fizeram críticas à sentença. "Nossas leis são feitas para beneficiar marginais", disse uma pessoa. "Essa juíza deveria ir cozinhar para ela na prisão", disse outro internauta.

Em sua rede social, a juíza Placidina Pires disse que a decisão não foi tomada apenas pelo fato da ré ser vegana, mas sim porque, "em função dessa peculiaridade, apresentava grave estado de saúde".

"Lamento que pessoas sérias e que admiro tenham caído nessa pauta de (desconstrução) do Poder Judiciário. […] Quanto às críticas, recebo-as com humildade e serenidade", publicou.

Apoio

A Associação dos Magistrados do Estado de Goiás (Asmego) disse que apoia a decisão legal da juíza e que ela foi fundamentada na Constituição da República e amparada no Conselho Nacional de Justiça.

"A Asmego repudia a distorção da decisão constitucional da juíza, que sofreu ataques e alegações de que a liberdade provisória havia sido concedida única e exclusivamente em razão de a ré ser vegana", diz o comunicado da entidade.

A Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abracrim) disse que as críticas são "equivocadas e imerecidas crítica". Além disso, pontuou que "a julgadora sustentou que a acusada apresentava grave estado de saúde, além de ser primaria e possuir bons antecedentes, e que o crime a ela imputado não fora praticado com violência ou grave ameaça, que a mesma possui endereço certo e é advogada, e que não há risco de fuga".

Outra entidades, como a Associação dos Magistrados Brasileiros e o Fórum Nacional de Juízes Criminais, reforçaram o apoio à juíza e destacaram que ela atua há mais de 20 anos de maneira imparcial.



Fonte: G1 GO

             
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