Domingo, 28 Novembro de 2021
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Leonardo Carvalho da Mota
Advogado / Presidente da CDL
O impacto da pandemia nos pequenos negócios
09/07/2020

Todos sabem que a atual pandemia da covid-19 trouxe grandes impactos para a população em geral, sendo que é impossível para qualquer pessoa prever todas as consequências que certamente marcará os próximos anos.

Aqueles que atuam na atividade comercial e de prestação de serviços não estão em situação diferente, sendo que uma vez obrigados a diminuir ou até mesmo suspender as atividades para frear o avanço da covid-19, encontram-se veem diante de um dilema: fechar o negócio definitivamente ou contrair dívidas para arcar com as despesas que terão neste período.

A esmagadora maioria dos pequenos empresários dependem das vendas do dia a dia para fechar as contas no fim do mês. Não obstante, existe ainda o temor de que essa quarentena seja prorrogada ou de que o movimento de clientes seja fraco mesmo após o fim das medidas de isolamento, o que acabaria sufocando os negócios, e culminaria em medidas ainda mais drásticas, tal como demissões e o consequente aumento do desemprego, outro grande temor geral.

O impacto da pandemia entre pequenas empresas certamente terá amplas consequências para a economia nacional. Segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), micro e pequenas empresas respondem por 52% dos empregos com carteira assinada no setor privado no Brasil. Observando a realidade da região do Araguaia, este número é ainda maior, aproximadamente 75%. Importante salientar que no setor de serviços e comércio são consideradas pequenas empresas aquelas com até 49 funcionários.

Ademais, o clima de incertezas e a dificuldade de prever os próximos capítulos desta crise apenas agravam a angústia já percebida pelos pequenos empresários. Muitos tentam recorrer para atividades alternativas e diferentes estratégias para tentar driblar as dificuldades cotidianas e conseguir sobreviver. Ao mesmo tempo em que calculam os prejuízos com a crise, vários empresários acumulam endividamento buscando a manutenção de seu negócio.

É fato que o momento exige calma e criatividade dos comerciantes, porém, muitos afirmam que têm margem limitada de ação, e que a sobrevivência de seus negócios dependerá da ajuda do governo. De fato, várias medidas para ajudar empresários durante a crise já foram anunciadas, entretanto é consenso geral de que a maioria das medidas podem ser consideradas irrisórias, e na palavra geral do setor, apenas “postergam os problemas”.

O chamado acesso facilitado ao crédito, medida que seria a grande esperança dos pequenos e médios empresários para tentar suportar a crise, não tem se traduzido da forma como esperado. Aliás, esta dificuldade atualmente exposta pela pandemia do coronavírus apenas trouxe à tona uma realidade que já é enfrentada há muito tempo.

Apesar de terem sido anunciadas diversas medidas pelo governo, o dinheiro ainda não está chegando até as pequenas empresas. A dificuldade de acessar o crédito – seja no escopo dos programas emergenciais ou fora deles – não está ligada a uma baixa procura por parte dos pequenos negócios, haja visto que muitos pequenos empresários estão indo aos bancos para solicitar empréstimos, mas estão sendo rejeitados, ou se deparam com outras dificuldades, como baixa disponibilidade, dificuldade em reunir a documentação necessário em tempo de aproveitar o recurso, dentre outras.

Uma pesquisa do Sebrae em parceria com a FGV, feita entre os dias 30 de abril e 5 de maio, entrevistou virtualmente mais de 10 mil pequenos empresários a respeito do impacto da pandemia nos negócios. O estudo mostrou que mais de um terço dos pequenos negócios do Brasil procurou crédito desde o início da pandemia – cerca de 6,5 milhões entre as mais de 17 milhões empresas pequenas. Entre os que haviam solicitado empréstimos – seja junto a bancos privados ou públicos –, apenas 14,2% conseguiu acesso ao dinheiro. Quase 60% teve o pedido negado, enquanto pouco mais de um quarto esperava uma resposta.

A dificuldade de acesso das empresas ao crédito se dá em um momento de grave crise econômica, em que o ritmo de circulação do dinheiro está mais baixo. Nesse cenário, as famílias ficam com menos dinheiro disponível para pagar as contas e gastar no dia a dia, e a mesma coisa acontece com as empresas, que sem ter seu capital girando, terá dificuldades de pagar empréstimos, fornecedores, e principalmente, os salários de seus colaboradores, o que poderá acarretar no aumento preocupante dos níveis de desemprego.

O crédito é importante para aumentar a circulação de dinheiro, promovendo o aquecimento da atividade econômica. Com mais dinheiro circulando e chegando às empresas, em benefício dos empresários, seus colaboradores e suas famílias, as condições para uma retomada melhoram – ainda que a pandemia limite fortemente o ritmo econômico.

O acesso ao crédito, portanto, é fator demasiadamente importante para reduzir perdas na renda dos brasileiros durante a pandemia. Para que isso se concretize, no entanto, é necessário que os programas do governo se traduzam, na prática, em um maior número e volume de empréstimos, bem como que as condições sejam flexibilizadas de uma maneira que seja realmente relevante na vida das pequenas empresas.

         
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